"PALAVRAS NÃO SÃO A ÚNICA MANEIRA DE SE DIZER ÀS PESSOAS O QUE SE QUER DIZER."

25 março, 2016

tudo vira pó

O que significa uma despedida? Despedida? Uma despedida de tudo que já foi e mora dentro de você? Como escrever palavras e depois tentar apagá-las de você? Não vejo solução. Não vejo saída para tantas coisas ditas e que não podem ser esquecidas.  Não vejo como recomeçar. Não há solução para coisas já vividas, não sei se podemos simplesmente esquecer e recomeçar de um ponto para além do passado. O vento te leva, os sentimentos te levam para um caminho sem volta, para um caminho que já fora trilhado antes, e que seu coração quer rejeitar, São tatas mágoas, tantos medos. São tantas dúvidas, tantos pensamentos difíceis de não ter. É tão triste perceber uma história acabar simplesmente. É tão triste os sonhos se esvaírem. Deixei de sonhar.  Perdi a ingenuidade que havia no meu coração. A vida é muito dura. As coisas simplesmente deixam de ser. As coisas simplesmente se destroem, viram pó.

28 abril, 2015

Rédeas onde estás tu?

Tenho me sentido tão desanimada.  Queria tanto fazer tudo que planejei que desejei.  No entanto,  os dias e os momentos estão me levando para longe de tudo que pensei.  O acaso sempre agindo  sem trégua.  Como posso retomar o meu caminho?  Como posso retomar  as rédeas da minha alma?

22 abril, 2015

O adeus das estrelas e dos astros

Às vezes a gente acredita que uma despedida não será dolorida. A gente acredita que fazendo o correto e  o melhor nosso coração vai se acalmar,  no entanto nem sempre o correto e o melhor é  o que a gente realmente quer.  Bate o arrependimento,  bate a saudade. E o pensamento,  de que tudo poderia ter sido diferente, que as dificuldades poderiam ser superadas, aparece. Meu coração está inquieto.  Minha razão sabe que foi melhor.  A saudade será  inevitável... E  o adeus recoará pelos céus através das estrelas e dos astros.

18 abril, 2015

Pensar e sentir

Difícil sentir sem pensar sobre o sentir.
Difícil não se dar conta que para sentir pensamos.
Difícil fazer a mera sensação não perpassar pela mente.

Indelicado seria pensar sem sentir.
Racionalidade  que fazes com meus sentidos?
Razão porque não liberta meu sentir para sentir além de meu pensar?

Certas coisas nos fazem pensar mais do que gostaríamos. Certas coisas nos tomam por inteiro. Palavras nem sempre  podem refletir tudo que está  no espelho de sua alma, no entanto palavras são o que nos sobram quando o olhar e os gestos não conseguem mais dizer. Um vazio para além dos pensamentos. Um encontro que já  não tem significado. E onde encontrá -lo?

Devir

Sente,  dança,
Voa.
Sobrepõe.
Nada fica.

Falta

Tenho sentido falta
de me encontrar comigo mesma.
Tenho sentido falta
de gritar o meu jeito.
Tenho sentido falta
de carregar na mochila
mais coisas da vida.

Muitas vezes sentimos falta, 
E é  tanta coisa que falta
Que identificar a falta que nos falta
Já faz falta.

Queria estar com o que me faz falta agora...

23 dezembro, 2013

Sem ritmo

Sem amor
com dor,
emoção perde,
razão triunfa.

Tensão, correria,
a tarde que caía,
a solidão que chegava.

O tempo e seu tic-tac.
Constante, constante...
Discordante.

Do ritmo da alma que navega,
Os passos que se desfazem.
Não há escolha.
Há destino.

Solidão que se faz.
Pedra rola.
Planta que nasce.
E morre.

E morre junto o amor e a dor.
Morre o individuo e sua consciência.
Que consciência pode haver?

Não há. Apenas.
Nada é. Nada se faz.
O que há é o incontrolável....
o incontrolável que determina o nada,
e multiplica a solidão.

Não era pra ser tempo de amor?

Hoje estive me perguntando quantas pessoas possuem diversos e infinitos medos, receios e preocupações.
Hoje estive me perguntando se as minhas expectativas podem ser compreendidas por outros, ou se ao menos meus medos podem ser amenizados por palavras doces e carinho.

É difícil dizer o que se passa por nossa cabeça, quando estamos diante de situações limite. E aqui digo, situações limite, pois muitas vezes o que nos condena à dor e desesperança não é se quer um pedacinho do que outro pode suportar (ou negar).

Num dia como hoje, pré-véspera de uma das festas que deveria celebrar o amor, a união, a paz, o perdão, a compreensão, enfim, apenas sentimentos bons que deveriam renovar o espirito para o inicio do novo ano, milhares de pessoas estão brigadas com suas famílias e pessoas que amam, pelos mais diversos motivos, como a  incompreensão, a ignorância e princialmente o orgulho.

Ao invés de compartilhar amor, estão compartilhando ódio, dor, angústia. Esses sentimentos nos ensinam muito, sim. Mas também podem maltratar alguém despreparado para enfrentá-los. Eles nos ensinam, mas não são necessários.

Me pergunto, então, o porquê as pessoas não celebram o amor.  Por que as pessoas não procuram se aproximar das que estão distantes e renovar os votos de amor? Por que as pessoas não se elevam, e estendem a mão para aquela que não é mais fraca, e que não consegue dar o primeiro passo para a nobreza do amor?

Presentes, ceias, comidas, nenhuma dessas coisas podem ser significativas se com elas não vier o amor e a compreensão, e  também o perdão e a união.

Hoje, estou sozinha, com o coração repleto de amor para compartilhar. Mas sem ninguém para receber este amor. Talvez ele possa viajar em pensamentos até as pessoas que amo. Talvez ele simplesmente se torne dor e eu tenha que aprender algo com ela. Mas, o que mais queria, era poder estar próximo das pessoas que amo e que elas recebessem esse amor com mais amor.

28 abril, 2013

Para além do nada, somente o Ser pode ser

      E às vezes quando alguém sai pela porta e se depara com a saudade, esse alguém não suporta. E quando a ausência do sublime de sua vida se mostra, o valor do si mesmo se esconde na insuportável verdade do ser. 
      Todos esperam pelo final que sempre está por vir e que não podemos mais escapar... Ao sair pela porta, objetos se fizeram. Ao sair pela porta, cheiros se fizeram, sensações se fizeram. Os sentidos pulsaram, a mente fica em estado de alerta. E ao entrar, tudo se perde, tudo se desfaz. 
      A porta representa a linha tênue da vida e da morte. A porta ao abrir mostra a multiplicidade da vida que nasce, e, que se esconde, com o cerrar dos olhos (da porta!). Ninguém é agora o velho alguém!
       A ideia de permanência por meio de lembranças, feitos e obras, sempre persegue através do medo do esquecimento. Mas para o si, nada permanece ao se fechar a porta. Tudo fica para trás... tudo volta para o nada que o homem não pode conhecer...Obviamente que é aí que mora um mistério que nem a Filosofia ou a Ciência podem conhecer, que a fé tenta explicar... Mistério que faz e se refaz, mistério do Ser.  

25 abril, 2013


Tolerância religiosa??


      E tolerância religiosa não significa dizer que respeita as outras religiões que não a sua, mas sim admitir para si mesmo que a sua não é a melhor nem a mais correta dentre as religiões, e nem que teu Deus é melhor que os outros... (sim, porque tem gente que acha que é tolerante, mas não aceita que Deus pode ser muitos e um só).
     E tolerância religiosa é entender que o teu livro sagrado não é superior do que o de outra religião, mas que Deus apenas brincou com os povos e se fez entender de diversas maneiras conforme as diversas diferenças culturais...
      E afinal o que é tolerância religiosa senão você de fato respeitar todas as outras, sem críticas mal feitas, sem mal dizeres... é saber conviver com toda a diversidade religiosa, buscando para si o melhor de si mesmo, sem se subverter....Não é Deus que determina quem é tolerante, ou quem está mais certo, mas sim nossas atitudes diante do outro... Deus nos deu o livre arbítrio, lembram? É preciso escolher o que podemos e devemos aceitar, sem machucar nossas crenças, mas principalmente sem invadir e desrespeitar a do próximo!

21 novembro, 2012

Palavras da alma

Lutando com as palavras, os sentimentos se velam
O cansaço aparece, o sono se esvai
As palavras não cansam nunca, elas querem fugir
Mas não sobra nada
não sobra nem sentimento
As palavras que sempre me cansam
O sono da alma que sempre se manifesta
As palavras dormem
A alma se desmonta

06 maio, 2012

Sendo, Devindo

de volta à fragilidade,
de volta ao vazio de apenas ser,
ser que continua sendo e deixa de ser logo em seguida,
segue sua dança diante dos dias...

dança a dança da vida o ser de meu sendo...
dance sem párar,
porque o tempo também não pára para me esperar...

e as folhas, e o vento, e a terra,
tudo continua sendo em sua dança inconstantemente constante....
segue, segue...vai!
Não deixe de ser
 nem por um segundo o que deve ser..
Deixa o seu mundo gritar
dentro de si....

Sendo, sendo,
sendo a cada passagem...
continua, continua
a cada nova virada....

03 outubro, 2011

Pensamentos

Pensamentos viáveis, pensamentos injuriáveis.
Serenidade, silêncio da dor.
Silêncio, dor manifesta.
Pensamentos serenos, pensamentos dolorosos,
Todos no silêncio da alma.

18 maio, 2011

10 ANOS DE SAUDADES

Hoje uma estranha tristeza tomou conta de mim... Um coração cheio de cicatrizes se mostra numa menina de apenas 24 anos. 
Talvez essa não seja a melhor maneira de mostrar o quanto esses 10 anos que se passaram, deixaram marcas. Certas marcas não podem ser apagadas, e tão pouco podem ser esquecidas. Nos acostumamos a  lembrar apenas das coisas ruins, afinal são elas que nos forçam à crescer, à envelhecer a alma.
Talvez meus olhos já demonstrem o quanto envelheci nesses últimos 10 anos. Humm, é engraçado falar assim: "os últimos 10 anos..."; afinal parece que tenho uns 50 e só tenho 24. Os últimos 10 anos foram a metade de minha pequena existência consciente. A metade de uma existência que como qualquer outra carrega marcas que doem muito... Lembranças belas, felizes que sempre vêem acompanhadas de outras dolorosas...
Como esquece-las? Como viver com elas? Como é possível lembrar de cada uma e não sentir nada? Acredito sinceramente que os últimos 10 anos foram os mais difíceis, e que, é essa fase, por qual passei, que é a mais difícil pra qualquer existência. Nesses últimos 10 anos tive de perder a inocência, encarar dores insuportáveis, cicatrizar feridas e tentar continuar em frente, virar mais responsável... Acredito que por isso se passa de fase como num vídeo game, e se vira adulto... Porque ser adulto é entender que há sofrimentos inevitáveis, sofrimentos que nunca serão apagados por completo, porque já não existe mais inocência, ela foi morta em algum lugar do cominho percorrido... Talvez seja por isso que o amor para o humano é tão importante... talvez seja porque o amor trás de volta à vida um pouquinho daquela inocência trucidada... um pouquinho que havia restado e estava escondido no fundinho do coração, com medo de sair e se ferir, com medo de não sobreviver ao que a vida ainda nos reserva.

Foram tantos momentos que me deixaram marcas... mas quero hoje dia 18/05/2011, relembrar uma momento, um momento que marca enfim o inicio dos meus últimos 10 anos, foi ali que meu pequeno e jovem coração recebeu a primeira e verdadeira marca, talvez a mais difícil e inesquecível devido a minha idade na época:
Com 14 anos, ao voltar da escola conversando com um amigo,  o Faquir, sobre armas, que fez questão de me deixar em casa, resolvi fazer minhas unhas como sempre fazia nas sextas-feiras, mas desta vez não liguei a TV e nem vi o jornal regional... E no silencio de minha casa recebo por volta das 20:30h um telefonema desesperado de meu irmão, dizendo que o ELFO havia se matado... Estranhamente, o Faquir era também era amigo do ELFO, e estranhamente ele morreu com tiros... a morte de um amigo, um amigo que eu admirava muito, por todo seu caráter, amizade e porque não dizer amor? Sim! Ele tinha um amor e uma paixão pela vida que eu admirava muito, seus olhos me diziam isso, e eu desejava que ele continuasse sendo meu amigo, que ele continuasse  sendo o que ele era, uma pessoa tão especial e especial por sua sinceridade e ousadia, por seu amor à vida e às pequenas coisas da vida... ele nunca cometeria suicídio.... Nunca havia visto meu irmão chorar com tanta sinceridade como vi naquele dia... nunca vou esquecer a dor que vi em seus olhos... Depois de um tempo, de um enterro e um velório doloroso, a verdade se desvela... Ele não se matou e nem matou a namorada, a certeza era que a policia havia entrado atirando, por causa de uma situação tão dúbia... Ele havia ido cobrar um colega, ele havia vendido cartas de magic para esse colega, e havia vendido para ajudar a mãe dele... Mas esse colega se recusou a pagar, eles brigaram, e no meio da confusão o colega cobrado,chamou a policia que entrou atirando... O fato é que esse colega negou que conhecia o ELFO, o fato é que ele disse que estava sendo assaltado, o fato é que ele matou um amigo... ele é o culpado por ter mentido ao chamar a policia, e após o ocorrido ainda continuar negando... Droga!! Eles se conheciam, ele haviam realizado juntos um campeonato de RPG no shopping da cidade! E a policia tentou esconder que havia matado dois adolescentes falando de suicídio, mas O ELFO levou 7 tiros e sua namorada, um no olho esquerdo... Nunca vou esquecer que no dia anterior ao ocorrido o ELFO foi até a minha casa, mas não subiu, e nesse dia ele e meu irmão voltaram a se falar... O ELFO havia brigado com meu irmão, pois ele havia visto meu irmão me batendo... grande besteira de irmãos... tentei varias vezes fazer o ELFO falar com meu irmão durante essa briguinha, mas só um dia antes eles voltaram a se falar... só um dia antes... e nesse dia eu não fui falar com ele, e me lembro de ter pensado: amanha falo com ele, estou com preguiça de descer... Não houve amanhã... Mas pelo menos meu irmão e o ELFO retomaram um amizade tão bonita... eles eram quase irmãos, irmãos de coração... e eu me sentia a irmãzinha caçula dos dois, que aprendia com as conversas deles, e que eles juntos me ensinavam muito... O ELFOaté lembrou que eu dava vários cartõeszinhos para a mãe dele... ela havia sido minha professora de educação artística no ensino fundamental... Sempre que ele me encontrava voltando da escola sozinha, ele fazia questão de me deixar em casa, como um irmão faz... como ele fazia com os irmãos dele... sempre o via levando seu irmãozinho pra escola e pra casa... Saudades amigo! Já fazem 10 anos! Saudades... Espero que onde quer que você esteja, estejas feliz e que não fique com estas lágrimas que hoje choro por você, e que muitos devem estar chorando junto comigo, por que são lágrimas de um sincero amor... são lágrimas de saudades, saudades de um amigo muito querido... Sempre que olho pro céu eu tenho a certeza que você é a estrela mais bonita, brilhando pra deixar as noites mais bonitas e doces... Sei que estás olhando por cada um de nós... eu acredito nisso...

02 maio, 2011

Existe a felicidade?


É muito difícil falar de si mesmo sem falar do meio em que estamos.
É muito difícil falar de si mesmo sem ao menos mencionar o fato como as coisas ocorrem e porque estamos sempre dispostos à mudança.
As mudanças ocorrem e muitas vezes nem nos damos conta disso.
O fato é que nos entregamos ao mundo e a vida de uma maneira sublime, que até mesmo os problemas, o sofrer e a dor fazem parte desse se entregar.
O que seria então de nós mesmos senão fossemos constituídos de opostos que se completam e nos complementam? Como seria a nossa vida se não encontrássemos nas adversidades a força para continuar?
O homem sempre buscou a felicidade, mas nunca percebeu que existem momentos que podemos chamar de momentos de veras felizes. O homem sempre teve o anseio de querer mais felicidade e esqueceu de viver a cada segundo como se este fosse o mais feliz e importante.
Obviamente o futuro incerto nos causa angústia e inquietação (estou inquieta agora), contudo sei que vivi momentos felizes que me enchem a alma de alegria e sublimação quando me recordo deles. Assim como todos os homens quero momentos de felicidade (não creio ser possível alcançar uma felicidade extrema), mas quero momentos em que eu possa dizer: - Sim! Estou feliz! Sinto-me leve como um pedaço de nuvem, ou como a brisa fria que balança as águas!

22 abril, 2011

Com o tempo a vida se faz

Quem de nós não está sujeito ao tempo? Não é possível dizer... Aliás acredito sinceramente que o tempo alimenta cada uma das vidas existentes com suas formas mais cruéis e surpreendentes possíveis.  Sem o tempo não nos modificaríamos, não seríamos mutáveis e flexíveis. Sem o tempo não seria possível aprender, e nem mesmo envelhecer com dignidade. Muitos acham que envelhecer é ruim e desastroso. Mas prefiro afirmar o que nossos pais sempre dizem e os pais de nossos pais também reafirmam : os mais velhos sabem mais do que nós, eles tem conhecimento de vida, eles tem sabedoria. O que eles tem a mais do que nós se refere a vivência que tiveram do mundo, e que nós ainda não tivemos. Eles podem não ter estudado o tanto que estudamos, ou nem mesmo saber como funciona um computador e os meios tecnológicos que hoje possuímos, mas eles sabem da vida. Sabem das peças que elas nos pregam; sabem quais reações serão geradas quando diante de um determinado fato; e no fundo sabem o que cada pessoa espera de uma outra numa determinada situação. Nossos pais sabem de nossas aflições, de nossos problemas e desejos. E não apenas porque são nossos pais, mas sim porque conhecem a vida.


Numa conversa com minha vó nas férias, aprendi muito, apesar dela não saber que estava me ensinando. Ela me contou fatos surpreendentes, falou de sua própria vida, do que gosta ou não de fazer. Falou de seus sacrifícios pelos filhos, de suas tristezas e alegrias. Me causou espanto (no sentido filosófico) com sua fé. Ela, ali, não sabia que estava me ensinando, e mal sabia o bem que me fazia. Mas ela, ali, me ajudou a crescer, me ajudou a reavaliar meus valores e desejos, meus compromissos e inquietações.


Assim como nessa conversa eu cresci, aprendi e me tornei um pouquinho sábia com relação a vida, posso dizer que com meus erros e com os erros de meus amigos, bem como com meus acertos e os acertos de meus amigos; ou simplesmente em conversas, leituras, aulas, festas, ficadas, brigas, namoros, filmes, músicas -- todas essas coisas que nos fazem um pouco mais nós mesmos e que nos fazem saber e sentir que estamos vivos -- com todas essas vivências foi possível crescer.


Me sinto mais velha hoje, e sinto saudades da adolescente e da criança que fui. Sinto falta da minha inocência, apesar de não a ter perdido por completo. Ao mesmo tempo não sinto falta alguma, porque cada detalhe, cada coisinha que vivi está em mim, no que sou hoje. Mas talvez me orgulhe de ainda manter uma ingenuidade romântica. Se me sinto melhor comigo hoje do que ontem? Bem não sei exatamente responder, mas arrisco à dizer que sim. Talvez possua um único arrependimento na vida, e este talvez meus amigos mais próximos saibam qual é, mesmo sem precisar que eu fale.


Certas coisas que vivemos nos deixam marcas que nunca serão fechadas por completo. Lembro de coisas de minha infância e de minha adolescência que me marcaram muito. Me lembro de chacotas na infância por ser gordinha; me lembro de outras chacotas na adolescência por ser a menina estranha que ouvia rock e vestia preto; e outras ainda por ser branquinha. Me lembro dos olhares ao dizer que faria Filosofia. Me lembro com muita dor da morte de um amigo que via como um irmão (Saudades Elfo!). Me lembro dos meus medos, angústias e sonhos (muitos deles perdidos com o passar do tempo). Me lembro das promessas que fiz e que me fizeram, das juras de amor eterno que nunca se cumpririam (hoje lembro disso sem remorso, e sei o quanto tudo parece tão desastroso para um adolescente). Mas sei também que tudo é necessário para que envelheçamos com saúde; aprendendo sempre, nos tornando mais sábios. Me lembro de brigas, discussões, brincadeiras, passeios, conversas na escada da minha casa (aaahhh se aquelas escadas falassem!)


Óbvio que sinto saudades de cada momento: dos ruins porque foram com eles que me tornei mais forte; e dos bons porque com eles aprendi a levar a vida com mais beleza e satisfação. Mas o tempo nos leva, a cada um de nós e, desta maneira,  nos resta viver o tempo que se prolonga com cada instante que passa. Só com o tempo foi possível cada vivência, cada experiência. E somente com ele será possível viver cada vez mais e mais. Somente com ele é possível envelhecer e nos tornar um pouco mais nós mesmos.


Sou o conjunto de minhas vivências! (Os filósofos da corrente fenomenológica e existencial, adorariam essa frase. Aliás, acredito que seja de um deles uma frase bem similar à esta, só não consegui lembrar a fonte exata). E junto com as minhas vivências vem o tempo, inseparável e indispensável . Somente com o tempo é que concretizo as minhas vivências; a cada instante do tempo eu vivo, sou e estou aqui.

27 agosto, 2010

A Filosofia pensa o Humano? (cont.)

Tentarei nas próximas linhas, elucidar as dúvidas do Bruno - comentário do texto anterior.

Pois bem, a questão aqui não é o pensar a arte pela arte, e nem produzir por produzir um artefacto; o caso aqui é que o humano necessita fazer, produzir, conhecer, expressar. Ele está a todo momento se autoconstruindo, se afirmando, se singularizando, buscando sua autenticidade - são várias as terminologias usadas pelo filósofos durante a história da filosofia. Resumindo, poderia definir o ser humano como  "homo faber", ele faz coisas, mas o faz por e para algo, faz pois deseja, quer, e principalmente projecta a sua vida em meio aos múltiplos desejos, características que nos levam a dizer que em tudo que o homem faz  encontra-se ali a intencionalidade . Obviamente que criar e produzir são diferentes de actuar, e estas ações também  dependem de aspectos do acaso, afinal a pólvora foi criada por acaso, mas só aplicada muito mais tarde, não? Entendo aqui actuar como um simplesmente acontecer, andar, ou uma pedra cair, ao passo que criar e produzir (no sentido moderno-contemporâneo) depende de uma inteligência ou mentalidade técnica, ou seja, uma maneira de pensar que foi introduzida no humano através do produzir e fazer técnico.  Lembrando que os gregos nomeavam os artefactos técnicos/ utilitários e os artísticos através da mesma palavra: TECHNE.

Essa exposição inicial foi necessária para afirmar que não há arte sem sentimento ou expressão de algo - interpretação do mundo- se não existisse essas duas características na arte, produzir um quadro seria como produzir um carro nas linhas de produção, e essa não é a ideia da arte. O homem produz arte e artefactos porque possuem um objetivo com elas: os artefactos técnicos são por excelência uma intervenção no mundo, mas essa intervenção possui como finalidade a busca pelo bem-estar do homem, facilitando a supressão de suas necessidades. Mas não só isso, o homem ama produzir  (conhecimento, arte, objetos), caso contrário o que seria de nosso existir se vivêssemos para nos alimentar e dormir? Pra que buscamos conhecer se não amassemos conhecer? É nossa essência conhecer, agir, e produzir. E a arte em si requer sentimento, interpretação, sensibilidade, e passar tais aspectos é o objetivo dela em si mesma.

Quanto a pensar o Humano sem atribuir o aspecto humano ao humano, posso dizer que ao se perguntar se isso é possível, já estás se autoafirmando como humano. É impossível pensar-nos sem algo que já nos caracteriza a priori. Qualquer intervenção que pensarmos estar fazendo em nossa humanidade, tentando ir contra ela, na verdade estaremos afirmando-a, pois estaremos exercitando o nosso desejo de mudar, criar, construir, aprender, conhecer, expressar, etc..

Respondi?

25 agosto, 2010

A Filosofia pensa o Humano?

Estive pensando hoje, durante a tarde, enquanto lia Ortega y Gasset, e cheguei a uma conclusão um tanto engraçada e simplória: como filósofa sou apaixonada pelo o que é Humano, assim como os engenheiros pelos artefatos técnicos, os físicos pelos fenômenos do universo, os sociólogos pelos fenômenos sociais, os biologos pelas seres da natureza, os artistas pelos objetos artistícos, etc.. Mas há algo em comum em tudas essas paixões, todos são apaixonados pela criação, criação humana ou divina, mas entregue à força do acaso e da contingência.

No fundo quando a Filosofia pensa a natureza, ela está pensando como é a visão humana da natureza e não ela mesma; quando a Filosofia pensa a arte, está pensando como é a visão humana da arte e não ela mesma; quando a Filosofia pensa a técnica, está pensando a visão humana sobre a técnica e não ela mesma, quando a Filosofia pensa a ciência, está pensando a visão humana sobre a ciência e não ela mesma; e assim por diante. Mas e quando a Filosofia pensa o Humano, pois bem, ela está pensando a visão que nós humanos temos de nós mesmos, isso não parece óbvio? Não?



11 julho, 2010

E o mundo das maravilhas de Alice, é de fato um mundo verdadeiramente encantado?

 
Por: Vanessa Delazeri Mocellin
Florianópolis, 30 de Junho de 2010.

A idéia deste pequeno ensaio surgiu por ocasião do lançamento do filme “Alice no país das maravilhas” de Tim Burton, em meio a todo o alvoroço de mais uma super produção e a dificuldade de se conseguir até mesmo ingressos para o mesmo dia, afinal, comentavam as garotas na fila, o Johnny Depp deve estar lindo no filme! Foi minha insistência e paciência que me jogou dentro de uma sala lotada — não havia uma poltrona vazia — e na qual poderia reviver uma grande emoção relembrando um conto infantil que havia me marcado muito na minha própria infância — jamais pude esquecer-me daquela menininha que caiu no buraco do coelho e que também atravessou o espelho...
Tentarei, mesmo que fugindo de todo o academicismo esperado, escrever de forma livre e até mesmo mais sintética do que gostaria, e tomar a obra pela obra, o estilo nonsense, pelo estilo, e apenas por ele. Fugindo das considerações históricas sobre o autor Lewis Carroll, e principalmente de outras interpretações, psicanalíticas ou não, dos símbolos contidos na obra. Usarei também algumas considerações do filme, visto ter sido ele que me despertou novamente o desejo de desvendar os segredos de Alice.
Como qualquer espectador de uma obra, é difícil fugir da minha condição de espectador e principalmente de fugir da condição de ente lançado no mundo metafísico, ou seja, de alguém que vive e convive com todas as técnicas empregadas em todas as situações, ou seja, em meio à maquinação e a vivência, usando as palavras de Martin Heidegger em “Aportes a la Filosofía – Acerda Del Evento”. Estas — a maquinação e a vivência — são a expressão mais gritante do que Platão construiu com o seu mundo das idéias, transformando a natureza e o mundo em coisas, ou seja, coisificando-as, e, portanto, em metafísica; e da apropriação disso feita pelo cristianismo com seu Deus criador e o advento da ciência moderna, transformaram o homem em também criador de entes. De fato, sei que usar uma representação como um filme ou um “conto-livro”, infantil e clássico, que leva às salas de cinema milhões, mesmo sem este público ter nenhuma noção do que veria na tela, é também estar no paradigma da metafísica que Heidegger insiste em dizer que deve ser superado para a implantação de um novo começo. Digo isso, porque muitos esperavam ver apenas uma super-replicação-cheia-de-efeitos-especiais, não que o filme não seja de fato cheio de efeitos especiais, mas será que ninguém se lembrava daquela garotinha muito curiosa e que apesar de achar tudo muito estranho no mundo das maravilhas, ainda assim estava ali para descobrir o novo? Será que ninguém sairia correndo atraído pelo coelho, e não apenas por impulso, mas por decisão se jogaria no buraco no qual ele entrara? Será que alguém ao menos se questionaria sobre o porquê estava ali para assistir o filme, claro ressaltando outro motivo que não o fato de ser uma superprodução cinematográfica?
Pois bem, é esta passagem, a entrada na toca do coelho, que aqui é o mais importante. A passagem para o desconhecido. A coragem de sair do mundo cheio de representações, marcado pela técnica moderna, e caminhar para o total desconhecido. Essa passagem que também poderia ser feita com o questionamento do porque não se questiona o fato de estar ali para assistir uma superprodução, ou seja, questionando a falta de questionamento. Mas, o que será que a pequena Alice sentiu ao se deparar com aquela sala cheia de portas, com uma pequena chave que apenas abria uma porta muito menor do que ela, com a bebida de crescer e o bolinho de encolher?   Poderia responder através da lembrança de uma passagem do texto, no qual suas lágrimas diante da impossibilidade de passar pela portinhola — a passagem da sala ao belíssimo jardim — alagaram a sala onde Alice estava, que ela sentiu temor, medo, e ao mesmo tempo sentiu admiração e espanto. Alice estava no limiar entre o novo começo e a velha metafísica. A pequena Alice não poderia saber o quão importante aquela situação poderia ser para o entendimento do próprio seer, afinal como saber algo sobre o total desconhecido? Se por um instante Alice segue o coelho por causa do encanto que lhe causou, e a possibilidade da vivência, noutro Alice salta, salta para um mundo ainda mais encantado do que o dela, um mundo carregado de surpresas e inesperadas revelações, um mundo no qual o sagrado está presente até nos detalhes, ações e pensamentos, um lugar no qual o silencio é também sagrado, mas o resto todo também.
Alice caminha no limiar entre a Metafísica e o Novo começo, ela olha para dentro do buraco do coelho, ela está admirada pela coelho de colete e relógio, mas esse olhar é o instante que separa e propulsiona aquela menininha para a possibilidade do novo começo. Óbvio que ela ainda está carregada de ambigüidade, afinal houve uma passagem, e essa passagem não se dá subitamente, pois a violência do novo começo só pode ser o anunciar de um último deus, e não uma violência como a maquinação que domina.  
Então se pode dizer que Alice salta a procura de algo que desconhece e que lhe causa temor e espanto. Alice entra no mundo das maravilhas, que é realmente encantado, mas ele é encantado porque já não é mais aquele mundo da metafísica onde tudo era dominado pelo próprio homem e sua “techne”, ali no mundo das maravilhas Alice estava à mercê do inesperado e do incomum, mas que podia ser alimentado pela pergunta tão súbita e irrespondível de maneira desveladora se posta no mundo da metafísica, a pergunta sobre quem de fato ela era: Alice se pergunta sobre quem ela é após crescer e diminuir, pensa que mudou, que se transformou em outra pessoa, uma de suas amiguinhas: Quem eu sou? Mas, Alice é questionada sobre quem de fato ela é ao se deparar com a lagarta azul que fumava narguilê: Quem é você pergunta a lagarta! Ela confusa não sabe responder! Reclama de suas mudanças, e de seu tamanho. Reclama por não estar acostumada com o inesperado. Mas, afinal quem está? Se acostumar com o inesperado é maquinação e vivência! Mas, se acostumar com as mudanças, por entender o que é transitório é chegar ao seer.
Para a pequenina lagarta a transformação era algo muito comum e fácil de ser compreendida: se doar a uma nova verdade mais profunda e reveladora não assustava em nada a lagarta, mas atormentava Alice.  Ela não sabia mais quem era, mas no momento, imersa na metafísica se preocupava com seu tamanho. Ela não sabia que não era dessa simples mudança de tamanho que a lagarta estava questionando! Ser pequena ou grande no sentido ôntico não cabia ali, o importante era ser grande, mas no sentido do seer, e para isso era necessário responder a pergunta: Quem eu sou?
Alice deveria entender os elementos do novo começo ali situados, para entender que ao final dessa aventura situada no entre de dois começos, num que estava por fim e outro no iniciar, que ela estaria diante de um silenciar do ente que ressoa no seer e o desperta como o mais fundamental. E Alice vai continuar a se perguntar pelo quem é: essa pergunta é a grande abertura para o seer se expor, ou melhor, para que se possa apontar para uma verdade do seer. Do mundo das maravilhas, aquela menininha sairá ciente do novo começo, mas ainda com o risco de cair no mundo metafísico. Mas antes do término de suas aventuras, ela aprenderá diante das duas rainhas, a branca e a vermelha, os dois pontos contrários dos começos: o primeiro começo, ou a rainha vermelha é a dominação e a fundação do ente; e o novo começo, ou a rainha branca, é a fundação do seer que entende a ambigüidade entre mundo e terra. O grande chapeleiro é a própria ambigüidade, que se perde no tempo e se configura como o amor, mas que sabe apontar para o sagrado, pois já o experimentou. O chapeleiro perde as estribeiras exatamente por vivenciar a maquinação no mundo do sagrado.
Esses elementos, aqui pincelados, para não me estender demais, levam Alice para o dia Fabuloso, dia este em que ela saberá o que é o sagrado, e entenderá a dualidade do primeiro e do novo começo, que ainda misturados devem travar uma batalha dificílima, mas que terá como vencedor o último deus. Alice mata o Deus cristão, e como premiação recebe da rainha branca um pouco de seu sangue, e este a levará para onde desejar, ou melhor, lhe dará o que quiser. Mas o que querer? Mas o que desejar? O novo começo não é isento de desejos? Talvez não o seja! Não sabemos! E Alice toma o sangue e deseja retornar a sua casa, para decidir sobre o que havia deixado para trás. Alice decide, e decide pela abertura ao novo começo, decide ficar próxima ao mundo das maravilhas, e chegar ao que a ciência chamou de impossível. Alice abre as portas para encontrar e alimentar em si o sagrado. Alice inicia o novo começo em busca do último deus. Ela caminha rumo ao desconhecido, temendo, mas não se deixando dominar: Alice vive o verdadeiro encantamento do mundo das maravilhas! Alice vive o verdadeiro encantamento do mundo das maravilhas que é direcionado ao questionamento do seer. Alice se põe a procura pelo mais fundamental que pode responder a pergunta “Quem eu sou?” ou “Quem é Você?”, e essa resposta ela descobriu no mundo das maravilhas: o seer, e não simplesmente o ente.

14 dezembro, 2009

Viagens

É difícil viajar sem deixar um pedacinho de nós para trás. É impossível esquecer momentos bons, pessoas e bichinhos que amamos. Sinto como se eu deixasse a minha alma para trás toda vez que sou obrigada a viajar e ir para outro lugar, mesmo sabendo que voltarei em breve. Claro que, ao viajar, ocorre uma dicotomia estranha, deixar quem amo para ver quem amo. É sempre uma mistura de alegria e tristeza, felicidade e dor. Vontade e insegurança, desejo e retenção. Sempre sinto esta dor, e me pergunto quem não sente? É como se eu vivesse duas vidas distintas! É estranho, é inquietante, é doloroso, é duo, é divisório...

22 outubro, 2009

Destino?

O que determina o destino?
Essa pergunta soa um tanto estúpida, quando os céticos e a maioria absoluta tentam entender o destino como algo que não podemos controlar. É estranho como a sabedoria popular diz coisas que fazem tanto sentido e ao mesmo tempo não diz nada. Por outro lado é ainda mais estranho como a sabedoria popular consegue dizer tantas verdades, mesmo que para o entendimento da maioria seja distorcido para que o sofrimento não os atinja.
É muito mais simples tirar toda a responsabilidade de nossas ações, de nossas mãos e as jogar nas mãos do destino. Fazemos escolhas, mesmo que não saibamos em que elas podem acarretar.
Essa é uma verdade tão simples e que é tão distorcida. Essa é uma verdade que muitos não querem aceitar e entender.

Dizer que o destino depende de nós mesmos seria destruir a existência de Deus?
Essa é outra pergunta que mesmos os céticos não deveriam se atraver a responder, afinal o seu sentido exato é: Deus existe e é "maior" que nós aponto de apenas sermos seus brinquedinhos?
Com toda certeza a resposta é não.
Mesmo que ele exista, ele não brincaria com sentimentos tão nobres, sentimentos que nos fez sentir. Mesmo que ele não exista, e queiramos fingir que sim, isso não apaga a nossa capacidade de pensar sobre o que fazemos. E mesmo que ele não exista e saibamos disso, não podemos esquecer que somos capazes de contribuir para tantos eventos que ocorrem ao nosso redor, que seria estupidez pensarmos só em nós mesmos. E ainda, mesmo que ele exista e saibamos, não devemos pensar que ele nos dará sempre o melhor sem esperar que lutemos por isso, ou que ao menos mereçamos isso.

Somos responsáveis por nossas ações, por nossas escolhas, e somos responsáveis por nosso destino mesmo que ele seja aberto e entregue às estrelas através do acaso. O acaso de nossas possibilidades é sempre aberto por uma de nossas escolhas que foi realizada anteriormente.

Somos tão capazes de tantas coisas. Mas somos tão frágeis. Sempre é mais fácil acreditar que tudo aconteceu porque outro escolheu por nós; e é sempre mais fácil dizer e aceitar "que assim é que tinha que ser".

Quando colocamos as coisas dessa maneira tiramos o que de dívino temos em nós.; o que de mais próximo temos com os deuses. Quando nos tornamos pequinininos diante do sofrimento que a vida nos impõe à todo momento, e numa atitude deixamos tudo na mão do que chamamos de destino, acabamos com o que de mais esplendoroso nos torna o que somos.

É mágico pensarmos que existe algo além, mas é ainda mais mágico pensarmos que esse algo foi capaz de deixar o teatro seguir seus atos conforme o texto que nós mesmo escrevemos.


Deus seria então o espectador da obra de arte que ele mesmo criou?
Eu diria que Deus é o diretor. Ele rege a vida, mas sem interferir na atuação, ou no papel do personagem na história. Deus só lança as sugestões (possibilidades), para que nós, através de nossos próprios instrumentos e características, possamos atuar de maneira graciosa no teatro do tempo e do universo.

Tomar em nossas mãos o que somos é algo tão difícil e intenso.
Tomar em nossas mãos o que fazemos como nossa responsabilidade é muito pesado.

Mas ainda assim, tomar em nossas mãos o que nos cabe dizer as estrelas é intransferível.
Encontrar as estrelas é abrir a clareira entre as nuvens;
É fazer cada gota de chuva seguir o seu curso até o solo e molhá-lo.
É fazer florescer cada grão que foi germinado.

O que devemos dizer às estrelas é intransponível.
Tocar as estrelas é seguir o curso do rio.
É o vento levar as flores, folhas, pólen e poeira para qualquer lugar indeterminado.
É destinar os olhos para que vejam o ser.



21 outubro, 2009

Indecisão - o nada

É estranho pensar nos dias que passam,
É tão inexplicável falar sobre o tempo.
Não quero notar as diferenças,
Quero entender as transições.
Escolhas perseguem-me,
Sonhos me confundem.
O devir nunca pára,
A angústia grita.

31 agosto, 2009

O que é ensinar Filosofia? Uma maneira de se ensinar a pensar o mundo.

É engraçado começar um texto que vise dizer o que é Filosofia e qual sua função de maneira geral na sociedade e no ensino, afinal confunde-se muito a Filosofia propriamente com “filosofia de vida”, ou seja, confunde-se o que se estuda em uma faculdade de Filosofia com o que costumeiramente as pessoas chamam de filosofia. Poderia aqui fazer uma distinção entre Filosofia com “F” maiúsculo e filosofia com “f” minúsculo. Mas como fazer essa distinção? Seria trivial apenas explicar que a Filosofia com “F” maiúsculo é a que se ensina nas universidades e a filosofia com o “f” minúsculo é o que a sociedade costuma chamar de “filosofia de vida”, assim como alguém que diz: — Minha Filosofia de vida é manter-me saudável, comendo apenas coisas naturais e na medida exata. Porém exatamente por se ter essa distinção como recorrente na sociedade é que muitos alunos chegam às universidades para aprender Filosofia acreditando que as “aulas” seriam bate-papos e devaneios sobre qualquer tema aleatório, ou ainda buscando de maneira geral um “sentido para a vida”.
Entretanto, o que se ensina nas universidades, ou seja, nas faculdades de Filosofia é o que os grandes filósofos disseram sobre determinados temas que construíram a nossa vasta biblioteca do saber. Todo saber cientifico teve certa influência filosófica no decorrer do tempo; por trás das grandes invenções, estudos e descobertas houve uma teoria filosófica que debatesse e tentasse dar conta de tais. O que ocorre, no entanto é que as pessoas chegam às aulas de Filosofia sem saber que se lêem textos de difíceis compreensão e escrita, de temas que muitas vezes não nos chamam a atenção, como o conhecimento, o ser, o belo, o bom, porque de algum modo não possuem uma serventia imediata (práxis), mas apenas discussões teóricas, ou em outras palavras construções de cenários que visam explicar as coisas e conceituá-las. Temos aqui uma grande confusão que perdura desde muito, essa confusão diz às pessoas que nunca tiveram contato com a Filosofia que expressar a opinião (doxa) é fazer Filosofia.
Mas depois de determinar o que seria a Filosofia, ou seja a Filosofia do mundo acadêmico e dos grandes filósofos, temos ainda outra preocupação um tanto grave: temos que ainda dividir essa conceituação em dois outros conceitos, assim sendo a Filosofia diferencia-se do que se costuma chamar de filosofia, porém ainda existe uma diferença entre Filosofia e a Filosofia acadêmica, ou em outras palavras Filosofia e História da Filosofia. Essa diferença surgiu com o decorrer do tempo, em que se criou uma tradição de se ensinar nas universidades o que os grandes filósofos disseram e escreveram e de se trabalhar com os conceitos por eles apresentados. Obviamente se faz necessário apresentar a História da Filosofia para que os nossos estudantes não pensem as mesmas coisas que já foram apresentadas pelos grandes filósofos, porém isso não seria apenas ensinar História da Filosofia e não Filosofia?
Seria interessante buscar trabalhar com a História da Filosofia a fim de que se pudesse fazer os alunos pensarem por si mesmos, e desta maneira chegar aos conceitos que os grandes filósofos apresentaram: se faz necessário percorrer o mesmo caminho feito conceitualmente que os grandes filósofos fizeram, mas usando da História da Filosofia como instrumento do ensino da Filosofia como maneira de pensar, argumentar e perceber. Filosofia seria então pensar criticamente sobre o que percebemos; seria perceber, refletir, conceituar e criticar tudo que percebemos de maneira concisa e inteligente, logicamente coerente.
Tendo buscado fundamentalmente o que de fato é Filosofia e de certo modo como e o que devemos ensinar, fica a pergunta: o que ensinar sobre Filosofia fora das universidades, ou seja, nas escolas? O que ensinar sobre Filosofia aos nossos adolescentes e crianças que estão em nossas escolas? Visto que a Filosofia tem como tarefa apresentar de certa forma a história do conhecimento, e também ensinar o aluno a “pensar” no mais restrito do termo, não se pode jogar nas mãos da Filosofia a tarefa de “educar” o pensamento dos nossos alunos juvenis. Ela tem sim uma responsabilidade muito grande na educação conceitual de nossas crianças e adolescentes, mas deve antes de qualquer coisa ser um instrumento junto às outras disciplinas para que se possa aumentar a capacidade e entendimento de mundo, além de facilitar o convívio social e mundano que terão em nossa sociedade contemporânea. Temas como preconceito, sexualidade, diferenças Religião, Ciência e Filosofia, direitos e deveres do cidadão frente à sociedade devem caminhar em conjunto com a história universal em História, a geografia local em Geografia, a Teoria dos conjuntos na Matemática, a Mecânica newtoniana em Física, a Lei de conservação de energia em Química, a análise sintática em Português.
Ensinar a pensar não é só tarefa da Filosofia, e ensinar nossas crianças e adolescentes o que os grandes filósofos disseram assim como se faz nas universidades seria uma tortura mental e um desleixo com a necessidade de estimulo intelectual e criativo. A Filosofia nas universidades, assim como já foi dito, deve estimular seus alunos a criar e pensar por si mesmos com o auxílio da história, bem como o ensino nas escolas deve estimular as crianças a se tornarem mais cientes do mundo em que vivem e dos problemas que a sociedade possui, e desta maneira refletir e conceituar coisas que serão necessárias para sua própria vivência.
É fato que os assuntos tratados pelos grandes filósofos e também nas universidades são complexos para serem trabalhados nas escolas, porém nada impede que com o auxílio das outras disciplinas se introduza assuntos que também carecem de reflexão filosófica, porém mais sutis, e assim se crie e transforme nossos adolescentes em pessoas mais críticas e mais conscientes, ou seja, pessoas capazes de terem uma atitude mais reflexiva sobre o mundo e a sociedade. Ensinando desde já aos nossos adolescentes e crianças a pensar criticamente o mundo em conjunto com as disciplinas ensinadas nas escolas, os tornam aptos a pensar o que é pensar o mundo nas universidades não importando que curso e profissão que seguirão.

13 agosto, 2009

Filosofia da Educação

Na primeira aula de Filosofia da Educação o professor propõe duas perguntas, sendo elas:
1- O que é Filosofia?
2- O que seria, então, ensinar Filosofia?
Pensei um pouco, são duas perguntas complicadas de serem respondidas, mas optei por respondê-las seguindo a minha intuição e o meu amor pelo que estudo. Talvez tenha sido um pouco poética demais, ou talvez até mesmo ingênua. Mas o que respondi foi muito sincero e condizente com a maneira como vejo e tento pensar e fazer Filosofia. A minha resposta foge de alguma maneira ao grande consenso que há sobre o que é Filosofia e o que é ensinar Filosofia; pensa-se logo em História da Filosofia quando se fala em Filosofia, mas não a vejo meramente assim, ela é algo mais, ela significa algo mais, e além disso ensiná-la é ensinar a pensar e a perceber algo mais.
Segue abaixo a minha resposta às perguntas:
"Diz-se que Filosofia é o Amor ao Saber (à sabedoria), quando pensada através do conhecimento comum ou popular e através da etimologia. Muitos dificultam essa definição típica, buscando algo mais complexo. Porém, ainda prefiro definir Filosofia, sim, como Amor ao Saber; afinal fazer perguntas sobre coisas tão elementares como o ser, o conhecimento, a religião, etc., e além disso investigá-las requer ao menos um amor verdadeiro pelo trabalho de investigação, leitura e argumentação em cima das idéias adquiridas e percebidas ao longo do tempo. Além disso, Filosofia pode ser definida através de uma "pragmática filosófica", quero dizer com o termo "pragmática filosófica" o espantar-se com as coisas e conceitos, o estar perplexo diante de, o encantar-se com o mais simples de algo, ou seja, ao "perceber" as coisas procurar o mais elementar e descobrir o mais simples e admirável presente nelas, a fim de conceituar, mostrar e chamar a atenção dos outros diante de tais coisas, para o simples presente nelas: O simples, porém encantador! E assim, para fazer Filosofia é necessário viver o empírico e entregá-lo ao teórico! Depois de tê-la definido desta maneira, posso dizer que ensinar Filosofia, pelo menos para mim, não é simplesmente ensinar a compreender um texto, ou perceber um erro dentro de um conjunto argumentativo. Ensinar Filosofia é plantar e semear a semente da perplexidade, e conseguir fazer o próximo perceber a mágica que há nas coisas e construir idéias e conceitos sobre tais coisas, mas visando sempre o "encantar-se" que a coisa nos dá ao se desvelar diante de nossos olhos. Ensinar Filosofia é conseguir transmitir o amor ao conhecimento e à percepção das coisas, transformando uma cadeira em não apenas uma cadeira, mas na CADEIRA!"

05 agosto, 2009

Impotência do querer e a força da ambigüidade

É estranho falar sobre certas coisas,
E é ainda mais estranho expor certas idéias....
Sinto-me tão só e tão perdida dentro do meu mundo...

Às vezes me pego olhando as estrelas
No entanto não vejo nada
Às vezes me pego brigando comigo mesma...
E não entendo,
Eu não consigo decifrar

Está muito além de palavras
Está muito além de gestos
São coisas que não consigo exprimir
Apenas o olhar pode entender...

Eu vejo coisas que não queria ver
E penso coisas que não queria pensar...
Entendo coisas que não queria compreender
E a realidade se torna tão dura
E às vezes parece que eu a quis assim...

Às vezes sinto que eu busquei tudo que está ao meu redor...
Às vezes eu quero que seja assim
E apenas às vezes eu percebo que nada é assim
E então algo toma conta de mim

Doce angústia perceber o acaso
Doce angústia perceber o real
Doce angústia perceber a impotência
Doce angústia perceber o mundo

E nada mais depende de nós...
E nada mais faz parte de nós

03 agosto, 2009

Novo semestre

E mais um semestre de aula começa. Numa tarde de sol muito bonita num dia de inverno, notamos muitas pessoas andando de um lado para o outro, o reencontro de amigos, sorrisos e bobagens à serem ditas. Vemos também notícias trágicas, professores com cara feia e com pouco ânimo, bem como os funcionários variam desde sorrisos empolgados à total má vontade.
Este é um novo dia de trabalho, um retorno das férias. Um dia em que as responsabilidades batem à porta, mas a preguiça e o aconchego das férias jogam uma corda e nos prendem. Eis aqui o que nos resta: a duplicidade! A duplicidade entre a calma e o tédio das férias, e o agito e o trabalho da volta às aulas.

23 julho, 2009

Os casadinhos

O que seria de um pacote de biscoitos caseiros do tipo casadinhos, se não fosse exatamente 2 biscoitos feitos de sei lá o que, e uma gosminha que chamamos de goiabinha?
Pois bem, profanaram o pacote de casadinhos!! Veio um não-casado! Um separado ou solteiro. Entendo que por ser um pacote de casadinhos, deve ser um separado, pois deve ter perdido o seu par por aí, em meios aos desvios da vida. O que antes se chamaria de defeito de fábrica (mente pensando: fábrica? mas não eram biscoitos caseiros?), hoje, podemos chamar de sinal da decadência do ser! Heidegger deve estar se revirando no túmulo e dando risada da minha cara! A confirmação de que o mundo é manualidade veio através dos casadinhos! O instrumento biscoito casadinhos quebrou (falhou) e eu me dei conta do que são de fato casadinhos! E hoje, como o mundo é egoísta e solitário, nada mais normal que vir um des-casado num pacote de casadinhos! Até os casadinhos não podem mais vir casados, minha mente insana já imagina pacotes de casadinhos separados, assim como parte dos casais hoje existentes!
Afinal para quê produzir pacotes de biscoitos casadinhos, se nem os casais são mais casados? (essa deve ter sido a fonte inspiradora dos biscoitos, não?) Os casadinhos hoje são separadinhos! Será então que a fábrica não errou? Será que o pacote não foi profanado, mas sim sacramentado?

22 julho, 2009

Tornar-se

Em alguns momentos nos pegamos revirando coisas aleatórias do passado. Poderíamos chamar estes momentos apenas de melancólicos ou saudosos. Tão doce é sentir o saudosismo! No entanto ao revirar o passado nos lembramos do que fomos, e afirmamos o que nos tornamos. Não podemos apagar o passado que vivemos, e tão pouco podemos mudar as experiências e aprendizagens que constituímos dele. Mas o que me chama mais a atenção ao pensar nas coisas passadas é como mudamos, como as transformações se deram. Os gostos não são mais os mesmos, mudaram desde livros e músicas favoritas à tipos suportáveis de atitudes. Mudaram desde de modos de se vestir até modos de se portar. Mudaram desde o que você mesmo espera (exige) de si mesmo até o que espera do outro. Mudaram as expectativas, as maneiras de pensar e ver o mundo. Quando percebemos isso nos damos conta que crescemos, evoluímos ou não. Evoluímos se mudamos pra melhor ou des-evoluímos se mudamos pra pior. Algumas pessoas se tornam mais malandras, outras com mais caráter. Umas se tornam mais malandras porque simplesmente não sabem lidar nem com elas mesmas, então lidar com o outro se torna um sacrilégio. As que adquirem mais caráter aprenderam a se conhecer melhor e se tornaram mais tolerantes; aprenderam a ver as coisas se colocando do lado de fora da situação, e portanto, possuem um juízo mais autêntico. Acredito que uma conclusão simples que é possível de se tirar é que não é as coisas que se vive durante a vida que nos torna melhores ou não, mas sim como lidamos com as coisas que vivemos. Devemos acreditar na mudança, tudo muda, tudo se transforma, tudo se torna, mas mesmo estando expostos às contingências, a escolha diante das possibilidades abertas cabe à nós. As mudanças abrem as possibilidades, quais possibilidades foram abertas isto está entregue ao acaso, mas fazer das possibilidades a sua realidade, isso só depende de você.

21 julho, 2009

Surpresa!

A quietude que acalenta a alma,
a fuga para dentro de mim mesmo.
A necessidade da natureza,
a necessidade da convivência,
a necessidade de estar entre,
mesmo estando no nada!

Vazio! Cheio!
Estamos cheios de sensações...
e estamos vazios diante dos outros.
Estamos vazios de sensações...
e estamos cheios diante de nós mesmos.

Angústia! Piedade!
Dentro de nós a angústia que nos enche.
Dentro dos outros a piedade que nos perdoa.
Fora dos outros a realidade que nos condena.
Fora de nós a imagem que nos abraça.

Surpresa!
Causadora de angústia
e causadora de piedade.
Surpresa!
O vazio está dentro do cheio.
E o cheio está dentro do vazio.
Surpresa!
O cheio está fora do vazio.
E o vazio está fora do cheio.

Surpresa!
A realidade surpreende
e nos engana com suas imagens...
A realidade nos angustia
e gera a piedade...
A realidade é cheia,
e vazia ao mesmo tempo;
A realidade de nós mesmos...

20 julho, 2009

Das relações humanas

Não acredito que o que vou escrever aqui dê conta de todos os tipos de relações humanas, e muito menos que seja possível abarcar todos os tipos de exceções existentes nas relações humanas. Aqui apresento apenas um ensaio sobre algumas impressões que as relações de modo geral têm me passado. Para tanto parto de um dos pré-socráticos: Pitágoras, o pai do dualismo.

Pitágoras coloca o número na essência das coisas, cria o dualismo, no qual para se ter o próximo (o segundo) elemento é necessário se ter o primeiro, gerando uma tensão entre os dois princípios. Desta maneira, tudo é Um, e se tudo é Um, o Um já é o Dois, pois a díade só existe porque existe a monada, mas na monada já está implícita a idéia da díade. Portanto, a díade que a monada é, é intrínsecamente a díade. Sempre em cada um deles haverá a presença de cada outro. Visto que, se o Uno é, ele já é o infinito e o múltiplo, mas não é apenas a reiteração do Um. O Uno não poderia ser o múltiplo, afinal o Todo também o é; e nem poderia ter uma relação com ele mesmo, pois ele mesmo seria o Duo. Contudo, o Uno é Todo, e portanto é Múltiplo, pois para ser o Uno absoluto ele deveria ser nenhum, e partir do Uno que existe já afirma que ele é, e assim sendo, ele já é Duo.



Vejamos os 10 pares de opostos (contrários):

1-Limite / Ilimitado
2-Ímpar / Par
3-Um / Múltiplo
4-Direita / Esquerda
5-Masculino / Feminino
6-Quieto / Em movimento
7-Reto / Curvo
8-Luz / Trevas
9-Bom / Mal
10-Quadrado / Oblongo



Desta maneira, depois de explicitar a teoria Pitagórica dualista, e lembrando a lista acima de contrários que ele compôs de "qualidades" que não existem sem seus respectivos opostos, precisamos no reportar para os dias atuais, nos quais as relações humanas são explicitamente compostas de opostos. Usaremos como exemplo disso uma música atual do músico e compositor Paulinho Moska, segue abaixo a letra:

A Seta e o Alvo (Paulinho Moska)

Eu falo de amor à vida,
Você de medo da morte.
Eu falo da força do acaso
E você de azar ou sorte.

Eu ando num labirinto
E você numa estrada em linha reta.
Te chamo pra festa,
Mas você só quer atingir sua meta.
Sua meta é a seta no alvo,
Mas o alvo, na certa, não te espera.

Eu olho pro infinito
E você de óculos escuros.
Eu digo: "Te amo!"
E você só acredita quando eu juro.

Eu lanço minha alma no espaço,
Você pisa os pés na terra.
Eu experimento o futuro
E você só lamenta não ser o que era.
E o que era?
Era a seta no alvo,
Mas o alvo, na certa, não te espera.

Eu grito por liberdade,
Você deixa a porta se fechar.
Eu quero saber a verdade
E você se preocupa em não se machucar.

Eu corro todos os riscos,
Você diz que não tem mais vontade.
Eu me ofereço inteiro
E você se satisfaz com metade.
É a meta de uma seta no alvo,
Mas o alvo, na certa não te espera!

Então me diz qual é a graça
De já saber o fim da estrada,
Quando se parte rumo ao nada?

Sempre a meta de uma seta no alvo,
Mas o alvo, na certa, não te espera.

Então me diz qual é a graça
De já saber o fim da estrada,
Quando se parte rumo ao nada?

Na música acima notamos explicitamente como uma relação nos dias atuais se dá. As pessoas não mais querem se envolver de verdade, e tão pouco procuram entender os pontos de vista do outro. Esquecem que a única maneira de se conhecer de fato alguém é convivendo e sabendo ser tolerável. Na letra da música um aposta na totalidade e na possibilidade, enquanto o outro se entrega às pequenas partes e insuguranças da vida moderna.


Afinal, porque é tão difícil se relacionar? Esse texto tá parecendo um texto composto de auto-ajuda misturado com Filosofia, esta não é a intenção acreditem! Estou apenas tentando usar a Filosofia para entender os dias atuais, as pessoas e suas relações. Se relacionar tem se tornado cada vez mais difícil, visto que as pessoas tem se tornado cada vez mais egoístas, visando apenas seus próprios interesses. Mas será que não foi sempre assim? Hobbes concordaria que sempre fomos assim, mas que antes não percebíamos. Será que percebendo que o mundo é composto de opostos, e que principalmente não sabemos ceder ao oposto que está em questão, tornamos a convivência muito mais rude e difícil, e ainda, tornamos as relações muito mais liquidas?


Se até Pitágoras compunha o mundo de através de opostos, e os via como inseparáveis, se até mesmo ele compunha o mundo através de uma rede relacional entre o um e o dois, ou seja, trazendo para o ambiente das relações humanas, entre o indivíduo e o próximo, porque não tornar os opostos uma ponte relacional, ao invés de um abismo infinito?


Não quero sugerir nenhuma solução aqui, apenas uma reflexão sobre o assunto. Sugiro que pensem na composição mundana dos opostos composta por Pitágoras e a traga para os dias de hoje num âmbito relacional humano.


Como caracterizar uma relação sem que haja ao menos duas pessoas envolvidas? Difícil, não?

19 julho, 2009

E mais um dia que começa...

Estranho, estava indo dormir ontem pensando a grande finalidade de um blog, pelos termos que usei deveria escrever difícil e apenas sobre Filosofia como muitos esperariam, mas em volta com as dúvidas de sua utilidade me deparei com a "arte da vida" e com a verdadeira contemplação filosófica. Muitos acham que Filosofia é apenas discutir termos e tentar explicá-los da maneira mais rebuscada possível, bem isso é balela! Não adianta escrever difícil e muito menos explicar coisa alguma, se você não é capaz de perceber, de contemplar. Assim sendo, percebi que um blog deve conter desde coisas ínfimas até as mais complicadas, desde coisas feias e estúpidas até as mais graciosas e que expressarão certas vontades e gostos, sustos e espantos! Sim, o que deve ser escrito aqui deve surpreender independete de qual categoria foi encaixado.

Depois dessa pequena reflexão, dormi. Apaguei. Agarrei-me ao sono simples e singelo. Acordei em um pulo! O dia está lindo... O sol resolveu aparecer firme e forte depois de uma madrugada gelada e coberta de neblina. Como não se espantar com tais raios solares? Como não vislumbrar as abóbodas do Sol?! A chuva não dava trégua tinha mais de uma semana, os dias estavam nublados e sem luz, não que estas características tirassem a graça de um dia, ao contrário, muitas vezes um dia nublado e frio gera um clima muito mais harmonioso que um dia de sol em que a confusão de uma tarde na praia impera. Mas hoje, com o Sol dizendo: -Oi! Vim iluminar os teus olhos e te esquentar a pele. Percebo que cada dia tem algo especial, como de fato tem que ser. As pessoas tem o mal costume de não encontrar nada especial em um dia, de nem ao menos se esforçar para procurar e encontrar algo especial. Mas afirmo, e bato o pé diante dessa afirmação, o especial depende apenas dos detalhes, daqueles detalhes que ninguém dá importância!

Passarei meu dia hoje lendo, apenas isso, nada de especial não é? Nem festas, nem bares, nem bebidas, nem família, nem amigos. Mas este dia, este dia tem pra mim algo de muito especial, porque o Sol decidiu aquecer a terra e fazer florecer as flores. Porque a água que caiu e enxarcou o solo vai "alimentar" as flores em comunhão com o Sol. Porque o vento vai soprar no final da tarde e encerrar este dia com classe junto ao pôr-do-sol. Porque este é o teatro da vida!

18 julho, 2009

Apresentação

É estranho começar um blog, mas tenho essa vontade já faz algum tempo. Decidi hoje, em meio ao tédio de estar em período de férias, mas ainda em Florianópolis, tendo de redigir o texto do meu TCC (trabalho de conclusão de curso), começar algo que pudesse expressar um pouco de minhas idéias e de algum modo me manter mais próxima dos amigos que estão longe, ou apenas mantê-los informados das mudanças que sofro a cada dia no meu modo de pensar e como elas vêm-a-ser, ou ainda, apenas escrever o que penso e o que quero, mesmo que estas palavras não sejam lidas por ninguém exceto por mim mesma.
Comentem quando acharem que for necessário, ou quando acharem que será produtivo, ou simplesmente para dizer que gostaram ou não. Ou não comentem, caso essa seja a verdadeira vontade de vocês.
Agradeço desde já a atenção de todos.