"PALAVRAS NÃO SÃO A ÚNICA MANEIRA DE SE DIZER ÀS PESSOAS O QUE SE QUER DIZER."

28 abril, 2015

Rédeas onde estás tu?

Tenho me sentido tão desanimada.  Queria tanto fazer tudo que planejei que desejei.  No entanto,  os dias e os momentos estão me levando para longe de tudo que pensei.  O acaso sempre agindo  sem trégua.  Como posso retomar o meu caminho?  Como posso retomar  as rédeas da minha alma?

22 abril, 2015

O adeus das estrelas e dos astros

Às vezes a gente acredita que uma despedida não será dolorida. A gente acredita que fazendo o correto e  o melhor nosso coração vai se acalmar,  no entanto nem sempre o correto e o melhor é  o que a gente realmente quer.  Bate o arrependimento,  bate a saudade. E o pensamento,  de que tudo poderia ter sido diferente, que as dificuldades poderiam ser superadas, aparece. Meu coração está inquieto.  Minha razão sabe que foi melhor.  A saudade será  inevitável... E  o adeus recoará pelos céus através das estrelas e dos astros.

18 abril, 2015

Pensar e sentir

Difícil sentir sem pensar sobre o sentir.
Difícil não se dar conta que para sentir pensamos.
Difícil fazer a mera sensação não perpassar pela mente.

Indelicado seria pensar sem sentir.
Racionalidade  que fazes com meus sentidos?
Razão porque não liberta meu sentir para sentir além de meu pensar?

Certas coisas nos fazem pensar mais do que gostaríamos. Certas coisas nos tomam por inteiro. Palavras nem sempre  podem refletir tudo que está  no espelho de sua alma, no entanto palavras são o que nos sobram quando o olhar e os gestos não conseguem mais dizer. Um vazio para além dos pensamentos. Um encontro que já  não tem significado. E onde encontrá -lo?

Devir

Sente,  dança,
Voa.
Sobrepõe.
Nada fica.

Falta

Tenho sentido falta
de me encontrar comigo mesma.
Tenho sentido falta
de gritar o meu jeito.
Tenho sentido falta
de carregar na mochila
mais coisas da vida.

Muitas vezes sentimos falta, 
E é  tanta coisa que falta
Que identificar a falta que nos falta
Já faz falta.

Queria estar com o que me faz falta agora...

23 dezembro, 2013

Sem ritmo

Sem amor
com dor,
emoção perde,
razão triunfa.

Tensão, correria,
a tarde que caía,
a solidão que chegava.

O tempo e seu tic-tac.
Constante, constante...
Discordante.

Do ritmo da alma que navega,
Os passos que se desfazem.
Não há escolha.
Há destino.

Solidão que se faz.
Pedra rola.
Planta que nasce.
E morre.

E morre junto o amor e a dor.
Morre o individuo e sua consciência.
Que consciência pode haver?

Não há. Apenas.
Nada é. Nada se faz.
O que há é o incontrolável....
o incontrolável que determina o nada,
e multiplica a solidão.

Não era pra ser tempo de amor?

Hoje estive me perguntando quantas pessoas possuem diversos e infinitos medos, receios e preocupações.
Hoje estive me perguntando se as minhas expectativas podem ser compreendidas por outros, ou se ao menos meus medos podem ser amenizados por palavras doces e carinho.

É difícil dizer o que se passa por nossa cabeça, quando estamos diante de situações limite. E aqui digo, situações limite, pois muitas vezes o que nos condena à dor e desesperança não é se quer um pedacinho do que outro pode suportar (ou negar).

Num dia como hoje, pré-véspera de uma das festas que deveria celebrar o amor, a união, a paz, o perdão, a compreensão, enfim, apenas sentimentos bons que deveriam renovar o espirito para o inicio do novo ano, milhares de pessoas estão brigadas com suas famílias e pessoas que amam, pelos mais diversos motivos, como a  incompreensão, a ignorância e princialmente o orgulho.

Ao invés de compartilhar amor, estão compartilhando ódio, dor, angústia. Esses sentimentos nos ensinam muito, sim. Mas também podem maltratar alguém despreparado para enfrentá-los. Eles nos ensinam, mas não são necessários.

Me pergunto, então, o porquê as pessoas não celebram o amor.  Por que as pessoas não procuram se aproximar das que estão distantes e renovar os votos de amor? Por que as pessoas não se elevam, e estendem a mão para aquela que não é mais fraca, e que não consegue dar o primeiro passo para a nobreza do amor?

Presentes, ceias, comidas, nenhuma dessas coisas podem ser significativas se com elas não vier o amor e a compreensão, e  também o perdão e a união.

Hoje, estou sozinha, com o coração repleto de amor para compartilhar. Mas sem ninguém para receber este amor. Talvez ele possa viajar em pensamentos até as pessoas que amo. Talvez ele simplesmente se torne dor e eu tenha que aprender algo com ela. Mas, o que mais queria, era poder estar próximo das pessoas que amo e que elas recebessem esse amor com mais amor.

28 abril, 2013

Para além do nada, somente o Ser pode ser

      E às vezes quando alguém sai pela porta e se depara com a saudade, esse alguém não suporta. E quando a ausência do sublime de sua vida se mostra, o valor do si mesmo se esconde na insuportável verdade do ser. 
      Todos esperam pelo final que sempre está por vir e que não podemos mais escapar... Ao sair pela porta, objetos se fizeram. Ao sair pela porta, cheiros se fizeram, sensações se fizeram. Os sentidos pulsaram, a mente fica em estado de alerta. E ao entrar, tudo se perde, tudo se desfaz. 
      A porta representa a linha tênue da vida e da morte. A porta ao abrir mostra a multiplicidade da vida que nasce, e, que se esconde, com o cerrar dos olhos (da porta!). Ninguém é agora o velho alguém!
       A ideia de permanência por meio de lembranças, feitos e obras, sempre persegue através do medo do esquecimento. Mas para o si, nada permanece ao se fechar a porta. Tudo fica para trás... tudo volta para o nada que o homem não pode conhecer...Obviamente que é aí que mora um mistério que nem a Filosofia ou a Ciência podem conhecer, que a fé tenta explicar... Mistério que faz e se refaz, mistério do Ser.  

25 abril, 2013


Tolerância religiosa??


      E tolerância religiosa não significa dizer que respeita as outras religiões que não a sua, mas sim admitir para si mesmo que a sua não é a melhor nem a mais correta dentre as religiões, e nem que teu Deus é melhor que os outros... (sim, porque tem gente que acha que é tolerante, mas não aceita que Deus pode ser muitos e um só).
     E tolerância religiosa é entender que o teu livro sagrado não é superior do que o de outra religião, mas que Deus apenas brincou com os povos e se fez entender de diversas maneiras conforme as diversas diferenças culturais...
      E afinal o que é tolerância religiosa senão você de fato respeitar todas as outras, sem críticas mal feitas, sem mal dizeres... é saber conviver com toda a diversidade religiosa, buscando para si o melhor de si mesmo, sem se subverter....Não é Deus que determina quem é tolerante, ou quem está mais certo, mas sim nossas atitudes diante do outro... Deus nos deu o livre arbítrio, lembram? É preciso escolher o que podemos e devemos aceitar, sem machucar nossas crenças, mas principalmente sem invadir e desrespeitar a do próximo!

21 novembro, 2012

Palavras da alma

Lutando com as palavras, os sentimentos se velam
O cansaço aparece, o sono se esvai
As palavras não cansam nunca, elas querem fugir
Mas não sobra nada
não sobra nem sentimento
As palavras que sempre me cansam
O sono da alma que sempre se manifesta
As palavras dormem
A alma se desmonta

06 maio, 2012

Sendo, Devindo

de volta à fragilidade,
de volta ao vazio de apenas ser,
ser que continua sendo e deixa de ser logo em seguida,
segue sua dança diante dos dias...

dança a dança da vida o ser de meu sendo...
dance sem párar,
porque o tempo também não pára para me esperar...

e as folhas, e o vento, e a terra,
tudo continua sendo em sua dança inconstantemente constante....
segue, segue...vai!
Não deixe de ser
 nem por um segundo o que deve ser..
Deixa o seu mundo gritar
dentro de si....

Sendo, sendo,
sendo a cada passagem...
continua, continua
a cada nova virada....

03 outubro, 2011

Pensamentos

Pensamentos viáveis, pensamentos injuriáveis.
Serenidade, silêncio da dor.
Silêncio, dor manifesta.
Pensamentos serenos, pensamentos dolorosos,
Todos no silêncio da alma.

18 maio, 2011

10 ANOS DE SAUDADES

Hoje uma estranha tristeza tomou conta de mim... Um coração cheio de cicatrizes se mostra numa menina de apenas 24 anos. 
Talvez essa não seja a melhor maneira de mostrar o quanto esses 10 anos que se passaram, deixaram marcas. Certas marcas não podem ser apagadas, e tão pouco podem ser esquecidas. Nos acostumamos a  lembrar apenas das coisas ruins, afinal são elas que nos forçam à crescer, à envelhecer a alma.
Talvez meus olhos já demonstrem o quanto envelheci nesses últimos 10 anos. Humm, é engraçado falar assim: "os últimos 10 anos..."; afinal parece que tenho uns 50 e só tenho 24. Os últimos 10 anos foram a metade de minha pequena existência consciente. A metade de uma existência que como qualquer outra carrega marcas que doem muito... Lembranças belas, felizes que sempre vêem acompanhadas de outras dolorosas...
Como esquece-las? Como viver com elas? Como é possível lembrar de cada uma e não sentir nada? Acredito sinceramente que os últimos 10 anos foram os mais difíceis, e que, é essa fase, por qual passei, que é a mais difícil pra qualquer existência. Nesses últimos 10 anos tive de perder a inocência, encarar dores insuportáveis, cicatrizar feridas e tentar continuar em frente, virar mais responsável... Acredito que por isso se passa de fase como num vídeo game, e se vira adulto... Porque ser adulto é entender que há sofrimentos inevitáveis, sofrimentos que nunca serão apagados por completo, porque já não existe mais inocência, ela foi morta em algum lugar do cominho percorrido... Talvez seja por isso que o amor para o humano é tão importante... talvez seja porque o amor trás de volta à vida um pouquinho daquela inocência trucidada... um pouquinho que havia restado e estava escondido no fundinho do coração, com medo de sair e se ferir, com medo de não sobreviver ao que a vida ainda nos reserva.

Foram tantos momentos que me deixaram marcas... mas quero hoje dia 18/05/2011, relembrar uma momento, um momento que marca enfim o inicio dos meus últimos 10 anos, foi ali que meu pequeno e jovem coração recebeu a primeira e verdadeira marca, talvez a mais difícil e inesquecível devido a minha idade na época:
Com 14 anos, ao voltar da escola conversando com um amigo,  o Faquir, sobre armas, que fez questão de me deixar em casa, resolvi fazer minhas unhas como sempre fazia nas sextas-feiras, mas desta vez não liguei a TV e nem vi o jornal regional... E no silencio de minha casa recebo por volta das 20:30h um telefonema desesperado de meu irmão, dizendo que o ELFO havia se matado... Estranhamente, o Faquir era também era amigo do ELFO, e estranhamente ele morreu com tiros... a morte de um amigo, um amigo que eu admirava muito, por todo seu caráter, amizade e porque não dizer amor? Sim! Ele tinha um amor e uma paixão pela vida que eu admirava muito, seus olhos me diziam isso, e eu desejava que ele continuasse sendo meu amigo, que ele continuasse  sendo o que ele era, uma pessoa tão especial e especial por sua sinceridade e ousadia, por seu amor à vida e às pequenas coisas da vida... ele nunca cometeria suicídio.... Nunca havia visto meu irmão chorar com tanta sinceridade como vi naquele dia... nunca vou esquecer a dor que vi em seus olhos... Depois de um tempo, de um enterro e um velório doloroso, a verdade se desvela... Ele não se matou e nem matou a namorada, a certeza era que a policia havia entrado atirando, por causa de uma situação tão dúbia... Ele havia ido cobrar um colega, ele havia vendido cartas de magic para esse colega, e havia vendido para ajudar a mãe dele... Mas esse colega se recusou a pagar, eles brigaram, e no meio da confusão o colega cobrado,chamou a policia que entrou atirando... O fato é que esse colega negou que conhecia o ELFO, o fato é que ele disse que estava sendo assaltado, o fato é que ele matou um amigo... ele é o culpado por ter mentido ao chamar a policia, e após o ocorrido ainda continuar negando... Droga!! Eles se conheciam, ele haviam realizado juntos um campeonato de RPG no shopping da cidade! E a policia tentou esconder que havia matado dois adolescentes falando de suicídio, mas O ELFO levou 7 tiros e sua namorada, um no olho esquerdo... Nunca vou esquecer que no dia anterior ao ocorrido o ELFO foi até a minha casa, mas não subiu, e nesse dia ele e meu irmão voltaram a se falar... O ELFO havia brigado com meu irmão, pois ele havia visto meu irmão me batendo... grande besteira de irmãos... tentei varias vezes fazer o ELFO falar com meu irmão durante essa briguinha, mas só um dia antes eles voltaram a se falar... só um dia antes... e nesse dia eu não fui falar com ele, e me lembro de ter pensado: amanha falo com ele, estou com preguiça de descer... Não houve amanhã... Mas pelo menos meu irmão e o ELFO retomaram um amizade tão bonita... eles eram quase irmãos, irmãos de coração... e eu me sentia a irmãzinha caçula dos dois, que aprendia com as conversas deles, e que eles juntos me ensinavam muito... O ELFOaté lembrou que eu dava vários cartõeszinhos para a mãe dele... ela havia sido minha professora de educação artística no ensino fundamental... Sempre que ele me encontrava voltando da escola sozinha, ele fazia questão de me deixar em casa, como um irmão faz... como ele fazia com os irmãos dele... sempre o via levando seu irmãozinho pra escola e pra casa... Saudades amigo! Já fazem 10 anos! Saudades... Espero que onde quer que você esteja, estejas feliz e que não fique com estas lágrimas que hoje choro por você, e que muitos devem estar chorando junto comigo, por que são lágrimas de um sincero amor... são lágrimas de saudades, saudades de um amigo muito querido... Sempre que olho pro céu eu tenho a certeza que você é a estrela mais bonita, brilhando pra deixar as noites mais bonitas e doces... Sei que estás olhando por cada um de nós... eu acredito nisso...

02 maio, 2011

Existe a felicidade?


É muito difícil falar de si mesmo sem falar do meio em que estamos.
É muito difícil falar de si mesmo sem ao menos mencionar o fato como as coisas ocorrem e porque estamos sempre dispostos à mudança.
As mudanças ocorrem e muitas vezes nem nos damos conta disso.
O fato é que nos entregamos ao mundo e a vida de uma maneira sublime, que até mesmo os problemas, o sofrer e a dor fazem parte desse se entregar.
O que seria então de nós mesmos senão fossemos constituídos de opostos que se completam e nos complementam? Como seria a nossa vida se não encontrássemos nas adversidades a força para continuar?
O homem sempre buscou a felicidade, mas nunca percebeu que existem momentos que podemos chamar de momentos de veras felizes. O homem sempre teve o anseio de querer mais felicidade e esqueceu de viver a cada segundo como se este fosse o mais feliz e importante.
Obviamente o futuro incerto nos causa angústia e inquietação (estou inquieta agora), contudo sei que vivi momentos felizes que me enchem a alma de alegria e sublimação quando me recordo deles. Assim como todos os homens quero momentos de felicidade (não creio ser possível alcançar uma felicidade extrema), mas quero momentos em que eu possa dizer: - Sim! Estou feliz! Sinto-me leve como um pedaço de nuvem, ou como a brisa fria que balança as águas!

22 abril, 2011

Com o tempo a vida se faz

Quem de nós não está sujeito ao tempo? Não é possível dizer... Aliás acredito sinceramente que o tempo alimenta cada uma das vidas existentes com suas formas mais cruéis e surpreendentes possíveis.  Sem o tempo não nos modificaríamos, não seríamos mutáveis e flexíveis. Sem o tempo não seria possível aprender, e nem mesmo envelhecer com dignidade. Muitos acham que envelhecer é ruim e desastroso. Mas prefiro afirmar o que nossos pais sempre dizem e os pais de nossos pais também reafirmam : os mais velhos sabem mais do que nós, eles tem conhecimento de vida, eles tem sabedoria. O que eles tem a mais do que nós se refere a vivência que tiveram do mundo, e que nós ainda não tivemos. Eles podem não ter estudado o tanto que estudamos, ou nem mesmo saber como funciona um computador e os meios tecnológicos que hoje possuímos, mas eles sabem da vida. Sabem das peças que elas nos pregam; sabem quais reações serão geradas quando diante de um determinado fato; e no fundo sabem o que cada pessoa espera de uma outra numa determinada situação. Nossos pais sabem de nossas aflições, de nossos problemas e desejos. E não apenas porque são nossos pais, mas sim porque conhecem a vida.


Numa conversa com minha vó nas férias, aprendi muito, apesar dela não saber que estava me ensinando. Ela me contou fatos surpreendentes, falou de sua própria vida, do que gosta ou não de fazer. Falou de seus sacrifícios pelos filhos, de suas tristezas e alegrias. Me causou espanto (no sentido filosófico) com sua fé. Ela, ali, não sabia que estava me ensinando, e mal sabia o bem que me fazia. Mas ela, ali, me ajudou a crescer, me ajudou a reavaliar meus valores e desejos, meus compromissos e inquietações.


Assim como nessa conversa eu cresci, aprendi e me tornei um pouquinho sábia com relação a vida, posso dizer que com meus erros e com os erros de meus amigos, bem como com meus acertos e os acertos de meus amigos; ou simplesmente em conversas, leituras, aulas, festas, ficadas, brigas, namoros, filmes, músicas -- todas essas coisas que nos fazem um pouco mais nós mesmos e que nos fazem saber e sentir que estamos vivos -- com todas essas vivências foi possível crescer.


Me sinto mais velha hoje, e sinto saudades da adolescente e da criança que fui. Sinto falta da minha inocência, apesar de não a ter perdido por completo. Ao mesmo tempo não sinto falta alguma, porque cada detalhe, cada coisinha que vivi está em mim, no que sou hoje. Mas talvez me orgulhe de ainda manter uma ingenuidade romântica. Se me sinto melhor comigo hoje do que ontem? Bem não sei exatamente responder, mas arrisco à dizer que sim. Talvez possua um único arrependimento na vida, e este talvez meus amigos mais próximos saibam qual é, mesmo sem precisar que eu fale.


Certas coisas que vivemos nos deixam marcas que nunca serão fechadas por completo. Lembro de coisas de minha infância e de minha adolescência que me marcaram muito. Me lembro de chacotas na infância por ser gordinha; me lembro de outras chacotas na adolescência por ser a menina estranha que ouvia rock e vestia preto; e outras ainda por ser branquinha. Me lembro dos olhares ao dizer que faria Filosofia. Me lembro com muita dor da morte de um amigo que via como um irmão (Saudades Elfo!). Me lembro dos meus medos, angústias e sonhos (muitos deles perdidos com o passar do tempo). Me lembro das promessas que fiz e que me fizeram, das juras de amor eterno que nunca se cumpririam (hoje lembro disso sem remorso, e sei o quanto tudo parece tão desastroso para um adolescente). Mas sei também que tudo é necessário para que envelheçamos com saúde; aprendendo sempre, nos tornando mais sábios. Me lembro de brigas, discussões, brincadeiras, passeios, conversas na escada da minha casa (aaahhh se aquelas escadas falassem!)


Óbvio que sinto saudades de cada momento: dos ruins porque foram com eles que me tornei mais forte; e dos bons porque com eles aprendi a levar a vida com mais beleza e satisfação. Mas o tempo nos leva, a cada um de nós e, desta maneira,  nos resta viver o tempo que se prolonga com cada instante que passa. Só com o tempo foi possível cada vivência, cada experiência. E somente com ele será possível viver cada vez mais e mais. Somente com ele é possível envelhecer e nos tornar um pouco mais nós mesmos.


Sou o conjunto de minhas vivências! (Os filósofos da corrente fenomenológica e existencial, adorariam essa frase. Aliás, acredito que seja de um deles uma frase bem similar à esta, só não consegui lembrar a fonte exata). E junto com as minhas vivências vem o tempo, inseparável e indispensável . Somente com o tempo é que concretizo as minhas vivências; a cada instante do tempo eu vivo, sou e estou aqui.

27 agosto, 2010

A Filosofia pensa o Humano? (cont.)

Tentarei nas próximas linhas, elucidar as dúvidas do Bruno - comentário do texto anterior.

Pois bem, a questão aqui não é o pensar a arte pela arte, e nem produzir por produzir um artefacto; o caso aqui é que o humano necessita fazer, produzir, conhecer, expressar. Ele está a todo momento se autoconstruindo, se afirmando, se singularizando, buscando sua autenticidade - são várias as terminologias usadas pelo filósofos durante a história da filosofia. Resumindo, poderia definir o ser humano como  "homo faber", ele faz coisas, mas o faz por e para algo, faz pois deseja, quer, e principalmente projecta a sua vida em meio aos múltiplos desejos, características que nos levam a dizer que em tudo que o homem faz  encontra-se ali a intencionalidade . Obviamente que criar e produzir são diferentes de actuar, e estas ações também  dependem de aspectos do acaso, afinal a pólvora foi criada por acaso, mas só aplicada muito mais tarde, não? Entendo aqui actuar como um simplesmente acontecer, andar, ou uma pedra cair, ao passo que criar e produzir (no sentido moderno-contemporâneo) depende de uma inteligência ou mentalidade técnica, ou seja, uma maneira de pensar que foi introduzida no humano através do produzir e fazer técnico.  Lembrando que os gregos nomeavam os artefactos técnicos/ utilitários e os artísticos através da mesma palavra: TECHNE.

Essa exposição inicial foi necessária para afirmar que não há arte sem sentimento ou expressão de algo - interpretação do mundo- se não existisse essas duas características na arte, produzir um quadro seria como produzir um carro nas linhas de produção, e essa não é a ideia da arte. O homem produz arte e artefactos porque possuem um objetivo com elas: os artefactos técnicos são por excelência uma intervenção no mundo, mas essa intervenção possui como finalidade a busca pelo bem-estar do homem, facilitando a supressão de suas necessidades. Mas não só isso, o homem ama produzir  (conhecimento, arte, objetos), caso contrário o que seria de nosso existir se vivêssemos para nos alimentar e dormir? Pra que buscamos conhecer se não amassemos conhecer? É nossa essência conhecer, agir, e produzir. E a arte em si requer sentimento, interpretação, sensibilidade, e passar tais aspectos é o objetivo dela em si mesma.

Quanto a pensar o Humano sem atribuir o aspecto humano ao humano, posso dizer que ao se perguntar se isso é possível, já estás se autoafirmando como humano. É impossível pensar-nos sem algo que já nos caracteriza a priori. Qualquer intervenção que pensarmos estar fazendo em nossa humanidade, tentando ir contra ela, na verdade estaremos afirmando-a, pois estaremos exercitando o nosso desejo de mudar, criar, construir, aprender, conhecer, expressar, etc..

Respondi?

25 agosto, 2010

A Filosofia pensa o Humano?

Estive pensando hoje, durante a tarde, enquanto lia Ortega y Gasset, e cheguei a uma conclusão um tanto engraçada e simplória: como filósofa sou apaixonada pelo o que é Humano, assim como os engenheiros pelos artefatos técnicos, os físicos pelos fenômenos do universo, os sociólogos pelos fenômenos sociais, os biologos pelas seres da natureza, os artistas pelos objetos artistícos, etc.. Mas há algo em comum em tudas essas paixões, todos são apaixonados pela criação, criação humana ou divina, mas entregue à força do acaso e da contingência.

No fundo quando a Filosofia pensa a natureza, ela está pensando como é a visão humana da natureza e não ela mesma; quando a Filosofia pensa a arte, está pensando como é a visão humana da arte e não ela mesma; quando a Filosofia pensa a técnica, está pensando a visão humana sobre a técnica e não ela mesma, quando a Filosofia pensa a ciência, está pensando a visão humana sobre a ciência e não ela mesma; e assim por diante. Mas e quando a Filosofia pensa o Humano, pois bem, ela está pensando a visão que nós humanos temos de nós mesmos, isso não parece óbvio? Não?



11 julho, 2010

E o mundo das maravilhas de Alice, é de fato um mundo verdadeiramente encantado?

 
Por: Vanessa Delazeri Mocellin
Florianópolis, 30 de Junho de 2010.

A idéia deste pequeno ensaio surgiu por ocasião do lançamento do filme “Alice no país das maravilhas” de Tim Burton, em meio a todo o alvoroço de mais uma super produção e a dificuldade de se conseguir até mesmo ingressos para o mesmo dia, afinal, comentavam as garotas na fila, o Johnny Depp deve estar lindo no filme! Foi minha insistência e paciência que me jogou dentro de uma sala lotada — não havia uma poltrona vazia — e na qual poderia reviver uma grande emoção relembrando um conto infantil que havia me marcado muito na minha própria infância — jamais pude esquecer-me daquela menininha que caiu no buraco do coelho e que também atravessou o espelho...
Tentarei, mesmo que fugindo de todo o academicismo esperado, escrever de forma livre e até mesmo mais sintética do que gostaria, e tomar a obra pela obra, o estilo nonsense, pelo estilo, e apenas por ele. Fugindo das considerações históricas sobre o autor Lewis Carroll, e principalmente de outras interpretações, psicanalíticas ou não, dos símbolos contidos na obra. Usarei também algumas considerações do filme, visto ter sido ele que me despertou novamente o desejo de desvendar os segredos de Alice.
Como qualquer espectador de uma obra, é difícil fugir da minha condição de espectador e principalmente de fugir da condição de ente lançado no mundo metafísico, ou seja, de alguém que vive e convive com todas as técnicas empregadas em todas as situações, ou seja, em meio à maquinação e a vivência, usando as palavras de Martin Heidegger em “Aportes a la Filosofía – Acerda Del Evento”. Estas — a maquinação e a vivência — são a expressão mais gritante do que Platão construiu com o seu mundo das idéias, transformando a natureza e o mundo em coisas, ou seja, coisificando-as, e, portanto, em metafísica; e da apropriação disso feita pelo cristianismo com seu Deus criador e o advento da ciência moderna, transformaram o homem em também criador de entes. De fato, sei que usar uma representação como um filme ou um “conto-livro”, infantil e clássico, que leva às salas de cinema milhões, mesmo sem este público ter nenhuma noção do que veria na tela, é também estar no paradigma da metafísica que Heidegger insiste em dizer que deve ser superado para a implantação de um novo começo. Digo isso, porque muitos esperavam ver apenas uma super-replicação-cheia-de-efeitos-especiais, não que o filme não seja de fato cheio de efeitos especiais, mas será que ninguém se lembrava daquela garotinha muito curiosa e que apesar de achar tudo muito estranho no mundo das maravilhas, ainda assim estava ali para descobrir o novo? Será que ninguém sairia correndo atraído pelo coelho, e não apenas por impulso, mas por decisão se jogaria no buraco no qual ele entrara? Será que alguém ao menos se questionaria sobre o porquê estava ali para assistir o filme, claro ressaltando outro motivo que não o fato de ser uma superprodução cinematográfica?
Pois bem, é esta passagem, a entrada na toca do coelho, que aqui é o mais importante. A passagem para o desconhecido. A coragem de sair do mundo cheio de representações, marcado pela técnica moderna, e caminhar para o total desconhecido. Essa passagem que também poderia ser feita com o questionamento do porque não se questiona o fato de estar ali para assistir uma superprodução, ou seja, questionando a falta de questionamento. Mas, o que será que a pequena Alice sentiu ao se deparar com aquela sala cheia de portas, com uma pequena chave que apenas abria uma porta muito menor do que ela, com a bebida de crescer e o bolinho de encolher?   Poderia responder através da lembrança de uma passagem do texto, no qual suas lágrimas diante da impossibilidade de passar pela portinhola — a passagem da sala ao belíssimo jardim — alagaram a sala onde Alice estava, que ela sentiu temor, medo, e ao mesmo tempo sentiu admiração e espanto. Alice estava no limiar entre o novo começo e a velha metafísica. A pequena Alice não poderia saber o quão importante aquela situação poderia ser para o entendimento do próprio seer, afinal como saber algo sobre o total desconhecido? Se por um instante Alice segue o coelho por causa do encanto que lhe causou, e a possibilidade da vivência, noutro Alice salta, salta para um mundo ainda mais encantado do que o dela, um mundo carregado de surpresas e inesperadas revelações, um mundo no qual o sagrado está presente até nos detalhes, ações e pensamentos, um lugar no qual o silencio é também sagrado, mas o resto todo também.
Alice caminha no limiar entre a Metafísica e o Novo começo, ela olha para dentro do buraco do coelho, ela está admirada pela coelho de colete e relógio, mas esse olhar é o instante que separa e propulsiona aquela menininha para a possibilidade do novo começo. Óbvio que ela ainda está carregada de ambigüidade, afinal houve uma passagem, e essa passagem não se dá subitamente, pois a violência do novo começo só pode ser o anunciar de um último deus, e não uma violência como a maquinação que domina.  
Então se pode dizer que Alice salta a procura de algo que desconhece e que lhe causa temor e espanto. Alice entra no mundo das maravilhas, que é realmente encantado, mas ele é encantado porque já não é mais aquele mundo da metafísica onde tudo era dominado pelo próprio homem e sua “techne”, ali no mundo das maravilhas Alice estava à mercê do inesperado e do incomum, mas que podia ser alimentado pela pergunta tão súbita e irrespondível de maneira desveladora se posta no mundo da metafísica, a pergunta sobre quem de fato ela era: Alice se pergunta sobre quem ela é após crescer e diminuir, pensa que mudou, que se transformou em outra pessoa, uma de suas amiguinhas: Quem eu sou? Mas, Alice é questionada sobre quem de fato ela é ao se deparar com a lagarta azul que fumava narguilê: Quem é você pergunta a lagarta! Ela confusa não sabe responder! Reclama de suas mudanças, e de seu tamanho. Reclama por não estar acostumada com o inesperado. Mas, afinal quem está? Se acostumar com o inesperado é maquinação e vivência! Mas, se acostumar com as mudanças, por entender o que é transitório é chegar ao seer.
Para a pequenina lagarta a transformação era algo muito comum e fácil de ser compreendida: se doar a uma nova verdade mais profunda e reveladora não assustava em nada a lagarta, mas atormentava Alice.  Ela não sabia mais quem era, mas no momento, imersa na metafísica se preocupava com seu tamanho. Ela não sabia que não era dessa simples mudança de tamanho que a lagarta estava questionando! Ser pequena ou grande no sentido ôntico não cabia ali, o importante era ser grande, mas no sentido do seer, e para isso era necessário responder a pergunta: Quem eu sou?
Alice deveria entender os elementos do novo começo ali situados, para entender que ao final dessa aventura situada no entre de dois começos, num que estava por fim e outro no iniciar, que ela estaria diante de um silenciar do ente que ressoa no seer e o desperta como o mais fundamental. E Alice vai continuar a se perguntar pelo quem é: essa pergunta é a grande abertura para o seer se expor, ou melhor, para que se possa apontar para uma verdade do seer. Do mundo das maravilhas, aquela menininha sairá ciente do novo começo, mas ainda com o risco de cair no mundo metafísico. Mas antes do término de suas aventuras, ela aprenderá diante das duas rainhas, a branca e a vermelha, os dois pontos contrários dos começos: o primeiro começo, ou a rainha vermelha é a dominação e a fundação do ente; e o novo começo, ou a rainha branca, é a fundação do seer que entende a ambigüidade entre mundo e terra. O grande chapeleiro é a própria ambigüidade, que se perde no tempo e se configura como o amor, mas que sabe apontar para o sagrado, pois já o experimentou. O chapeleiro perde as estribeiras exatamente por vivenciar a maquinação no mundo do sagrado.
Esses elementos, aqui pincelados, para não me estender demais, levam Alice para o dia Fabuloso, dia este em que ela saberá o que é o sagrado, e entenderá a dualidade do primeiro e do novo começo, que ainda misturados devem travar uma batalha dificílima, mas que terá como vencedor o último deus. Alice mata o Deus cristão, e como premiação recebe da rainha branca um pouco de seu sangue, e este a levará para onde desejar, ou melhor, lhe dará o que quiser. Mas o que querer? Mas o que desejar? O novo começo não é isento de desejos? Talvez não o seja! Não sabemos! E Alice toma o sangue e deseja retornar a sua casa, para decidir sobre o que havia deixado para trás. Alice decide, e decide pela abertura ao novo começo, decide ficar próxima ao mundo das maravilhas, e chegar ao que a ciência chamou de impossível. Alice abre as portas para encontrar e alimentar em si o sagrado. Alice inicia o novo começo em busca do último deus. Ela caminha rumo ao desconhecido, temendo, mas não se deixando dominar: Alice vive o verdadeiro encantamento do mundo das maravilhas! Alice vive o verdadeiro encantamento do mundo das maravilhas que é direcionado ao questionamento do seer. Alice se põe a procura pelo mais fundamental que pode responder a pergunta “Quem eu sou?” ou “Quem é Você?”, e essa resposta ela descobriu no mundo das maravilhas: o seer, e não simplesmente o ente.

14 dezembro, 2009

Viagens

É difícil viajar sem deixar um pedacinho de nós para trás. É impossível esquecer momentos bons, pessoas e bichinhos que amamos. Sinto como se eu deixasse a minha alma para trás toda vez que sou obrigada a viajar e ir para outro lugar, mesmo sabendo que voltarei em breve. Claro que, ao viajar, ocorre uma dicotomia estranha, deixar quem amo para ver quem amo. É sempre uma mistura de alegria e tristeza, felicidade e dor. Vontade e insegurança, desejo e retenção. Sempre sinto esta dor, e me pergunto quem não sente? É como se eu vivesse duas vidas distintas! É estranho, é inquietante, é doloroso, é duo, é divisório...